InícioNutrição Fitness Leitura: 9 min Atualizado: 18/08/2026 Conteúdo EducativoMariana Costa

Alimentos ricos em proteína além do frango e do ovo

Além do frango e do ovo, boas fontes de proteína incluem atum enlatado, cottage, lentilha, grão-de-bico, tofu, carne vermelha magra, sardinha e iogurte grego. Esses alimentos entregam entre 10 g e 30...

Variedade de alimentos ricos em proteína dispostos sobre uma mesa, incluindo leguminosas, peixes, queijos e sementes

Resumo em 30 segundos

Além do frango e do ovo, boas fontes de proteína incluem atum enlatado, cottage, lentilha, grão-de-bico, tofu, carne vermelha magra, sardinha e iogurte grego. Esses alimentos entregam entre 10 g e 30 g de proteína por porção e são encontrados em qualquer mercado. Variar as fontes facilita bater a meta diária sem monotonia.

Neste artigo:

Contexto

Frango grelhado de novo. Toda semana, todo dia, toda refeição. Quem treina sabe como essa história termina: enjoo, preguiça de cozinhar e, no fim, a meta de proteína não batida.

O problema não é falta de opção — é falta de repertório. O mercado brasileiro tem dezenas de alimentos proteicos baratos e versáteis que ficam de fora do prato por puro hábito. Um filé de tilápia custa menos que um peito de frango em boa parte do país. Uma lata de sardinha entrega 22 g de proteína por menos de R$ 5. O iogurte grego natural de qualquer marca popular chega a 17 g por pote.

Este artigo é um mapa prático. Sem suplementos obrigatórios, sem ingredientes importados, sem receitas complicadas. Só o que funciona no dia a dia de quem precisa comer bem, com orçamento real e tempo limitado.

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Alimentos ricos em proteína além do frango e do ovo

Foto: Lily Banse / Unsplash

Diagnóstico Rápido

Por que tanta gente não bate a meta de proteínas?

A recomendação geral para quem treina com regularidade fica entre 1,6 g e 2,2 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia — valores respaldados por pesquisas da área de nutrição esportiva. Para uma pessoa de 75 kg, isso significa entre 120 g e 165 g de proteína diária.

O problema começa quando o cardápio se repete tanto que a pessoa simplesmente para de comer as fontes proteicas por enjoo. Ou quando, no almoço fora de casa, o único recurso parece ser um frango seco de marmitex. Outro fator comum é a crença de que proteína de qualidade é cara ou difícil de preparar.

Nenhuma das duas coisas é verdade. O que falta, na maioria dos casos, é conhecer as alternativas.

As melhores fontes de proteína além do frango e do ovo

A lista abaixo traz a quantidade aproximada de proteína por porção típica de consumo, com base em tabelas de composição nutricional do IBGE e de fabricantes.

Fontes animais

  • Atum em lata (ao natural): ~25 g de proteína por lata de 120 g. Rápido, barato e versátil — vai bem em salada, tapioca, arroz ou pão.
  • Sardinha em lata: ~22 g por lata de 125 g. Rica em ômega-3, uma das proteínas mais baratas por grama no mercado.
  • Tilápia e outros peixes brancos: ~22 g por filé de 100 g. Sabor suave, fácil de temperar, preparo rápido na frigideira ou no forno.
  • Carne vermelha magra (patinho, alcatra, coxão mole): ~26 g por 100 g. Também entrega ferro e zinco, nutrientes que o frango não oferece em quantidade significativa.
  • Iogurte grego natural: ~14 a 17 g por pote de 170 g. Funciona no café da manhã, no lanche ou como base de molhos e sobremesas proteicas.
  • Cottage: ~14 g por 100 g. Textura cremosa, baixíssimo teor de gordura. Ótimo com frutas, torrada ou misturado em receitas.
  • Queijo minas frescal: ~7 g por fatia de 30 g. Menos proteico que o cottage, mas prático e amplamente disponível.
  • Carne de porco (lombo, filé mignon suíno): ~22 g por 100 g. Mais magra do que muita gente imagina, especialmente os cortes do lombo.
  • Camarão: ~18 g por 100 g cozido. Proteína de altíssimo valor biológico com baixo teor de gordura.
  • Carne seca / charque (com moderação): ~27 g por 100 g. Alto teor de sódio, então o consumo deve ser esporádico — mas proteicamente é denso.

Fontes vegetais

  • Lentilha cozida: ~9 g por xícara (200 g cozida). Preparo em 20 minutos sem precisar deixar de molho. Combina com arroz, sopas e refogados.
  • Grão-de-bico cozido: ~8,5 g por xícara. Em versão de hummus, assado temperado (snack crocante) ou direto na salada.
  • Feijão preto, carioca e outros: ~7 a 9 g por xícara cozida. O feijão com arroz brasileiro ainda é uma das combinações de aminoácidos mais equilibradas que existem.
  • Tofu firme: ~10 g por 100 g. Absorve o tempero que você usar — marinado com shoyu e alho, fica irreconhecível para quem torce o nariz para ele.
  • Edamame (soja jovem): ~11 g por xícara cozida. Encontrado congelado em mercados maiores. Lancha rápida com sal grosso.
  • Tempeh: ~19 g por 100 g. Derivado fermentado da soja, muito mais denso em proteína que o tofu. Ainda pouco popular, mas já aparece em mercados naturais.
  • Amendoim e pasta de amendoim (integral): ~7 g por 2 colheres de sopa (30 g). Calórico, então atenção à porção, mas prático para lanches.
  • Quinoa cozida: ~4 g por xícara. Proteína completa (todos os aminoácidos essenciais), algo raro entre os vegetais. Substitui o arroz facilmente.
  • Sementes de abóbora (pepitas): ~9 g por 30 g. Crocantes, práticas, ótimas para comer direto ou jogar na salada.

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Alimentos ricos em proteína além do frango e do ovo

Foto: Ignat Kushnarev / Unsplash

Como encaixar essas fontes na rotina sem planejar tudo do zero

Não precisa montar uma planilha de macro. Algumas trocas simples já fazem diferença.

No café da manhã, substituir o iogurte comum pelo grego e adicionar uma colher de pasta de amendoim no pão já adiciona cerca de 20 g de proteína antes das 9h. No almoço, alternar entre atum, sardinha e carne vermelha magra ao longo da semana resolve a questão da variedade. Á noite, um refogado de lentilha com legumes leva menos de 30 minutos e entrega uma refeição completa.

O lanche entre refeições é onde muita gente perde proteína por conveniência. Trocar biscoito por cottage com fruta, ou amendoim com um pote de iogurte grego, já muda o balanço do dia inteiro sem exigir nenhum preparo elaborado.

Quem segue dieta vegetariana ou vegana pode montar um cardápio proteico sólido combinando leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), grãos (quinoa, arroz integral), tofu, tempeh e sementes. A chave é variedade, porque cada fonte vegetal tem um perfil de aminoácidos diferente — e combinar duas ou três ao longo do dia garante o perfil completo.

Em viagens ou dias sem tempo de cozinhar, uma lata de atum, um pote de iogurte grego e um punhado de amendoim já salvam a meta proteica do dia. Simples assim.

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Alimentos ricos em proteína além do frango e do ovo

Foto: Ella Olsson / Unsplash

Quando conversar com um profissional

Se você treina com frequência e, mesmo ajustando o cardápio, tem dificuldade em recuperar bem dos treinos, apresenta queda de rendimento, perde massa muscular ou sente fraqueza persistente, vale uma consulta com um nutricionista esportivo. Esses sinais podem indicar que a ingestão proteica ainda não está adequada — ou que há outro fator nutricional envolvido.

Pessoas com doenças renais devem ter atenção redobrada com o consumo de proteína, pois dietas hiperproteicas podem sobrecarregar os rins em casos específicos. Nesse caso, o acompanhamento nutricional não é opcional.

Tire suas dúvidas

Proteína vegetal é tão eficiente quanto a animal para ganho de massa muscular?+

Proteínas vegetais costumam ter um perfil de aminoácidos menos completo individualmente, mas quando se varia as fontes ao longo do dia — combinando leguminosas, grãos e sementes — é possível cobrir todos os aminoácidos essenciais. Estudos recentes mostram que indivíduos que consomem quantidade adequada de proteína vegetal total conseguem resultados de hipertrofia semelhantes. A chave é quantidade total e variedade, não necessariamente a origem.

Atum em lata todo dia faz mal por causa do mercúrio?+

O consumo frequente de atum — especialmente o de atum albacora (rabo amarelo), que tem mercúrio em concentrações mais altas — merece atenção. A recomendação geral é limitar o atum a 2 a 3 porções por semana para adultos saudáveis. Alternar com sardinha e outros peixes menores reduz a exposição sem abrir mão dos benefícios proteicos e do ômega-3.

É possível bater a meta de proteínas só com comida, sem suplementos?+

Sim, é completamente possível. Alguém de 80 kg que precisa de 140 g de proteína por dia pode atingir isso com, por exemplo: iogurte grego no café (17 g), atum no almoço (25 g), feijão com arroz (14 g), cottage no lanche (14 g) e tilápia no jantar (22 g). Isso já soma 92 g — e ainda sobram lanches e outras fontes menores para complementar. Suplementos como whey protein são convenientes, mas não indispensáveis.

Qual é a fonte proteica mais barata do mercado brasileiro?+

Sardinha enlatada e feijão estão entre as opções mais baratas por grama de proteína no Brasil. Uma lata de sardinha pode custar menos de R$ 5 e entregar 22 g de proteína. O feijão cozido em casa é ainda mais econômico em escala — 1 kg de feijão cru sai por cerca de R$ 8 a R$ 12 e rende várias refeições com 7 a 9 g de proteína por porção.

Tofu tem gosto ruim mesmo ou é questão de preparo?+

É quase sempre questão de preparo. O tofu firme sem tempero tem sabor neutro — o que é uma vantagem, não um defeito. Ele absorve marinadas muito bem. Deixar em shoyu, alho, gengibre e um fio de azeite por 30 minutos e depois grelhar na frigideira muda completamente o resultado. Tofu amassado refogado com temperos também funciona bem como substituto da carne moída em molhos e recheios.

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Foto: Nikita Khowala / Unsplash

Ciência

  • IBGE. Tabela de Composição Nutricional dos Alimentos Consumidos no Brasil (POF 2008-2009). Disponível em: https://www.ibge.gov.br
  • Morton RW et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine, 2018. DOI: 10.1136/bjsports-2017-097608
  • Stokes T et al. Recent perspectives regarding the role of dietary protein for the promotion of muscle hypertrophy with resistance exercise training. Nutrients, 2018. DOI: 10.3390/nu10020180
  • Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME). Diretriz de Nutrição para o Exercício. Disponível em: https://www.sbme.org.br
  • ANVISA. Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa

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Sobre a autoria

Mariana Costa

Redatora principal — Nutrição e bem-estar

Nutricionista responsável pela autoria editorial dos artigos do Saúde em Foco.

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